Doenças cardiovasculares já mataram mais de 280 mil pessoas, este ano, no país
Doenças cardiovasculares, apontadas como a primeira causa de mortes no Brasil e no mundo, foram responsáveis pelo óbito de 283.858 pessoas, este ano, no país; 14.157 dos casos, ocorreram nos primeiros 14 dias deste mês. Os dados são do Cardiômetro, ferramenta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que estima que cerca de 1.000 pessoas morram por dia por conta deste grupo de enfermidades.
O Ministério da Saúde aponta que o número de óbitos registrados por ano chega a 400 mil, o que corresponde a uma vida perdida a cada 90 segundos, e que cerca de 300 mil indivíduos por ano sofrem Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Enquanto o governo federal estima que até 2040 haverá aumento de até 250% desses eventos no país; a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, em 2030, mais de 23 milhões de mortes sejam causadas por doenças cardiovasculares, com predomínio em países de baixa e média renda.
Como explica a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as doenças cardiovasculares são um grupo de doenças do coração e dos vasos sanguíneos e incluem: as doenças coronariana, cerebrovascular, arterial periférica, cardíaca reumática, cardiopatia congênita, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
“Ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais geralmente são eventos agudos causados principalmente por um bloqueio que impede que o sangue flua para o coração ou para o cérebro. A razão mais comum para isso é o acúmulo de depósitos de gordura nas paredes internas dos vasos sanguíneos que irrigam o coração ou o cérebro. Os acidentes vasculares cerebrais também podem ser causados por uma hemorragia em vasos sanguíneos do cérebro ou a partir de coágulos de sangue”, aponta a entidade internacional.
Ainda conforme a OPAS, a causa de ataques cardíacos e AVCs geralmente são uma combinação de fatores de risco, como o uso de tabaco, dietas inadequadas e obesidade, sedentarismo e o uso nocivo do álcool, hipertensão, diabetes e hiperlipidemia. Por isso, a SBC alerta que a maior parte das mortes por doenças cardiovasculares podem ser evitadas ou postergadas com medidas preventivas e o tratamento adequado. O acompanhamento de um especialista é recomendação do Ministério da Saúde, que ainda orienta as seguintes medidas preventivas: abandonar o sedentarismo, o tabagismo e praticar atividade física, conforme orientação médica. Além disso, é orientado que o indivíduo faça 30 minutos de caminhada, pelo menos três vezes por semana; que mantenha uma alimentação saudável (sem gorduras ou frituras, dando preferência às carnes brancas); que insira vegetais, folhas e legumes nas refeições; que troque a sobremesa calórica por uma fruta; que evite o consumo excessivo de açúcar, massas, pães e alimentos industrializados; além de que restrinja a ingestão de bebidas alcoólicas. Alerta de risco entre jovens adultos
Dados alarmantes, divulgados pelo Ministério da Saúde, refletem um cenário de crescimento de 180% nas internações de pessoas com menos de 40 anos, por doenças cardiovasculares. Segundo Jorge Torreão, cardiologista e especialista em imagem cardiovascular, dentre os fatores que podem explicar esse aumento, estão: a maior prevalência de obesidade, hipertensão e diabetes em idades mais precoces, o uso de cigarros eletrônicos e o consumo de drogas ilícitas.
O especialista explica que o diagnóstico envolve desde a avaliação clínica detalhada, com exame físico bem conduzido e anamnese cuidadosa, até o uso racional de exames complementares. Exames básicos, como eletrocardiograma, teste ergométrico e análises de sangue que englobam colesterol e glicemia, devem ser realizados quando indicados pelo médico. Além das mudanças de hábitos, com foco na prevenção, quando necessário, são prescritos medicamentos para controlar a pressão arterial, o colesterol e a coagulação do sangue. “Em casos mais graves, podem ser indicados procedimentos invasivos ou cirúrgicos, como angioplastia, cirurgias de revascularização ou troca de válvula cardíaca. O objetivo é controlar riscos, evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente”, esclarece o médico.
Internações e mortalidade na Bahia
Em dezembro do ano passado, o estudo intitulado “Internações e mortalidade por doenças cardiovasculares na Bahia”, publicado na revista científica Saúde.com, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), analisou dados gerados pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), disponíveis no DATASUS, no período de 2012 a 2022. Dentre os achados da pesquisa, está “a necessidade de um de um maior investimento em políticas de saúde, medidas educativas, preventivas e melhorias na assistência a fim de reduzir a morbimortalidade decorrentes desses agravos”.
De acordo com os pesquisadores, no período investigado identificou-se 776.317 internações decorrentes das doenças cardiovasculares na Bahia, com 242.599 mortes contabilizadas. Dos pacientes que vieram a óbito por conta das enfermidades, 51% eram do sexo masculino e 79,7% pertenciam ao grupo etário de 60 a 80 anos mais.
Principais sintomas
A Organização Pan-Americana da Saúde informa que os sintomas do ataque cardíaco incluem: dor ou desconforto no centro do peito; e dor ou desconforto nos braços, ombro esquerdo, cotovelos, mandíbula ou costas. “Além disso, a pessoa pode ter dificuldade em respirar ou falta de ar; sensação de enjoo ou vômito; sensação de desmaio ou tontura; suor frio; e palidez. Mulheres são mais propensas a apresentar falta de ar, náuseas, vômitos e dores nas costas ou mandíbula”, detalha a entidade.
Já quanto aos sintomas mais comuns de acidente vascular cerebral, uma súbita fraqueza da face e dos membros superiores e inferiores, mais frequentes em um lado do corpo, é uma das evidências. Além disso, o paciente deve estar atento, segundo a OPAS, a outros sinais, como: dormência na face, braços ou pernas, especialmente em um lado do corpo; confusão, dificuldade para falar ou para entender; dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos; dificuldade para andar, tontura, perda de equilíbrio ou coordenação; dor de cabeça intensa sem causa aparente; e desmaio ou inconsciência. As pessoas que apresentarem tais sintomas devem procurar, imediatamente, a assistência médica.
TRBN
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